Bets e iGaming

CPA, FTD, RevShare e baseline: o vocabulário do afiliado

Por Equipe Affilitrack · · 10 min de leitura
Resposta curta

CPA é o pagamento fixo por jogador qualificado, FTD é o primeiro depósito que qualifica esse jogador, RevShare é a fatia recorrente da receita líquida que ele gera e baseline é o depósito mínimo que a casa exige para considerar o FTD válido. Os quatro termos descrevem partes diferentes do mesmo contrato e aparecem de formas diferentes no postback: o CPA vira um evento de valor fixo, o RevShare vira eventos recorrentes de valor variável, e o baseline é o filtro que decide se o evento existe. Entender a distinção é o que separa um relatório que reflete o contrato de um relatório que só conta cliques.

O vocabulário do afiliado de bet é curto, mas cada termo carrega uma consequência técnica direta: qual evento existe no postback, qual valor chega, quando ele chega e quantas vezes. Quem trata tudo como "conversão" acaba com relatório que não bate com o painel da casa e não consegue explicar por quê.

Este é o dicionário operacional, do ponto de vista de quem configura o tracker.

Os quatro termos centrais

CPA (Cost Per Acquisition)

Valor fixo pago pela casa por cada jogador qualificado. Qualificado é a palavra que importa: não é por clique, não é por cadastro, é por jogador que cumpriu as condições do contrato — em geral, depositou acima de um valor mínimo e às vezes movimentou esse valor.

No tracker, o CPA é o caso mais simples. Um evento, um valor fixo, uma vez por jogador.

FTD (First Time Deposit)

O primeiro depósito daquele jogador. É o evento que normalmente dispara o CPA.

FTD não é sinônimo de CPA — é o gatilho dele. Um jogador pode fazer FTD e não gerar CPA se o depósito ficou abaixo do baseline ou se ele não cumpriu alguma exigência adicional. E um jogador pode depositar várias vezes, mas só a primeira é FTD.

RevShare

Fatia recorrente da receita líquida que o jogador gera para a casa, paga enquanto ele continuar ativo.

No tracker, o RevShare é estruturalmente diferente: vários eventos ao longo do tempo, com valores variáveis, ligados ao mesmo click_id original. Isso muda o que você espera do relatório — a conversão não "termina" quando o jogador deposita.

Baseline

Depósito mínimo para que o FTD seja considerado válido. É o filtro silencioso que causa a maior parte das divergências entre o número da casa e o número do afiliado.

Se o baseline é R$ 30 e o jogador deposita R$ 20, o depósito é real, o postback pode até chegar, mas o CPA não é pago. Sem isso mapeado, seu relatório mostra conversão que não vai virar receita.

Tabela de referência rápida

Termo O que é Como aparece no postback
Clique Visita registrada no link de redirect Não é postback; é o click_id gerado no /r/{slug}
Cadastro / Lead Conta criada, sem dinheiro Evento próprio, geralmente valor zero
FTD Primeiro depósito do jogador Evento com valor do depósito
CPA Pagamento fixo pela qualificação Evento com valor fixo de contrato
RevShare Fatia recorrente do NGR Eventos repetidos, valor variável
Baseline Depósito mínimo para qualificar Não é evento; é regra que decide se o evento existe
NGR Receita líquida do jogador Base de cálculo do RevShare
Chargeback Estorno do depósito Pode gerar cancelamento da conversão
Híbrido CPA menor + RevShare menor Dois eventos com naturezas diferentes

Por que isso é um problema de configuração, não de teoria

Cada termo acima vira uma linha no mapeamento do merchant: qual parâmetro traz o evento, qual traz o valor, qual traz o id da transação. Se o mapeamento não distingue cadastro de FTD, os dois entram como a mesma coisa e você perde a métrica mais importante da operação — quanto custa um depositante, não um cadastro.

Na prática, os programas mandam isso de formas diferentes. Alguns usam um campo de status com valores como sale e lead. Outros mandam um evento único e você diferencia pelo valor. Outros ainda mandam eventos nomeados. O mapeamento por merchant existe justamente porque não há padrão: você declara na tela qual campo é o quê e a regra passa a valer imediatamente, sem redeploy. A mecânica completa está em postback S2S, e o exemplo concreto com duas casas grandes em como configurar o postback da Betano e da Superbet.

Métricas derivadas que você vai usar todo dia

Com os eventos separados corretamente, essas contas passam a fazer sentido:

  • CTR do pré-lander — cliques no link de saída sobre visitas. Diz se o criativo e a página estão alinhados.
  • Clique → cadastro — qualidade da audiência e fricção do formulário da casa.
  • Cadastro → FTD — o número que mais separa tráfego bom de tráfego inflado. Cadastro sem depósito costuma indicar público errado, tráfego incentivado ou promessa exagerada no criativo.
  • CPA efetivo — custo total de mídia dividido pelo número de FTDs qualificados. Note: qualificados, não FTDs brutos. O baseline muda esse número.
  • eCPM por fonte — receita por mil impressões, útil para comparar canais de naturezas diferentes.
  • Valor por jogador ao longo do tempo — só existe em RevShare, e só se o seu tracker mantiver os eventos recorrentes ligados ao clique original.

Todas dependem de uma coisa: atribuição correta do evento ao clique que o originou. É o que o tracking e atribuição resolve.

Termos que aparecem em conversa de contrato

Chargeback e conversão cancelada. A casa pode reverter uma conversão depois de registrada — fraude, autoexclusão, estorno de depósito, baseline não cumprido. Quando isso acontece, o painel dela muda e o seu tracker não, a menos que exista um evento de cancelamento mapeado. Guardar o log de todo postback recebido, com payload cru, é o que permite reconciliar sem discussão.

Deduplicação. Casas reenviam postback por retry ou reprocessamento. Sem dedupe por txid e click_id, cada reenvio vira uma conversão nova e sua receita aparente cresce sozinha. Quando um reenvio traz valor divergente, a conversão original é preservada e a divergência fica registrada — o relatório não muda embaixo de você, e a diferença fica visível para análise.

Janela de atribuição. Prazo entre o clique e a conversão para que ela ainda conte a seu favor. Varia por programa. É uma das causas mais comuns de divergência legítima entre painel da casa e tracker.

Postback órfão. Conversão que chegou com identificador que não existe na sua base de cliques. Quase sempre é macro não substituída na URL da oferta, valor truncado pela casa, ou tráfego que não passou pelo link de redirect.

Multi-marca. O mesmo grupo operando várias marcas com contratos e parâmetros diferentes. Cada marca precisa do próprio merchant configurado — reaproveitar configuração entre marcas do mesmo grupo é fonte clássica de órfão.

O que muda na sua operação conforme o modelo

Se você opera CPA, o ciclo é curto: gastou em mídia, qualificou jogador, recebeu valor fixo. A métrica que manda é custo por FTD qualificado, e o baseline é o número que você precisa saber de cor. Erro de mapeamento aqui aparece rápido, porque o dinheiro entra rápido.

Se você opera RevShare, o tracker precisa aguentar eventos recorrentes ligados ao mesmo clique ao longo de meses. Um jogador que depositou uma vez e sumiu vale muito menos que um ativo há um ano, e essa distinção só existe no relatório se os eventos continuarem casando com o clique original.

Se você opera híbrido, precisa dos dois comportamentos ao mesmo tempo, com eventos de naturezas diferentes convivendo no mesmo merchant. É o cenário que mais castiga configuração improvisada.

Se você tem sub-afiliados, o modelo determina como repassar. CPA combina com valor fixo por conversão; RevShare combina com percentual sobre o valor recebido. A regra é definida por merchant e por evento, e o repasse dispara automaticamente quando a conversão é registrada — detalhes em rede de sub-afiliados e o passo a passo em como montar uma rede de sub-afiliados.

Como o contrato vira configuração: um exemplo

Suponha um contrato assim: CPA de valor fixo por FTD com baseline de R$ 30, cadastro sem pagamento mas com reporte, janela de atribuição de 30 dias.

A tradução para o tracker é direta:

  1. Dois eventos no merchant. Um para cadastro (valor zero, serve para medir a etapa) e um para FTD (valor do depósito). Se a casa manda os dois no mesmo campo de status, é ali que a distinção acontece.
  2. Valor de referência. O postback traz o valor depositado; o CPA que você recebe é fixo. Vale registrar os dois: o depósito serve para checar baseline, o fixo serve para bater com a fatura.
  3. Id de transação. Obrigatório, sob risco de um segundo depósito legítimo ser confundido com reenvio, ou de um reenvio virar conversão nova.
  4. Leitura do baseline. Com o valor do depósito gravado, dá para separar no relatório os FTDs acima e abaixo do mínimo e prever a fatura antes dela chegar.

Sem o passo 4, a divergência com o painel da casa vira mistério todo mês. Com ele, vira uma linha do relatório.

Erros de vocabulário que viram erro de dinheiro

  • Chamar cadastro de FTD. Infla a contagem de conversão e faz você achar que uma fonte ruim é boa.
  • Ignorar o baseline. Você conta conversões que a casa não vai pagar e escala uma campanha em cima de um número inventado.
  • Comparar CPA de programas diferentes sem olhar a qualificação. Um CPA maior com exigência mais dura pode render menos que um menor com qualificação simples.
  • Tratar RevShare como conversão única. Você perde toda a cauda de receita no relatório.
  • Assumir que NGR significa a mesma coisa em duas casas. A definição do que é descontado varia; leia o contrato.
  • Não separar evento por merchant. Sem mapeamento próprio, marcas diferentes viram uma sopa de eventos.

Para continuar

Se você está começando a estruturar a operação, o caminho é: entender os eventos do seu contrato, mapear cada um no merchant correspondente, validar com postback de teste e só então olhar relatório. A visão geral da plataforma mostra como as peças se encaixam, a página para afiliados traz o fluxo do ponto de vista de quem opera mídia, e integrações junto com casas de aposta listam o que já vem mapeado. Definições pontuais ficam no glossário, dúvidas de configuração no FAQ, planos em preços e a comparação com outras ferramentas em comparativos.

Uma ressalva final: nada aqui é recomendação de investimento, de aposta ou de escolha de modelo comercial, e o mercado brasileiro de apostas tem regras próprias de operação e publicidade. Confira sempre a fonte oficial e o contrato do programa antes de tomar decisão.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre FTD e cadastro?

Cadastro é a criação da conta, sem dinheiro envolvido. FTD é o primeiro depósito feito por aquele jogador, normalmente acima de um valor mínimo definido pela casa. No postback os dois costumam chegar como eventos distintos, e tratá-los como a mesma coisa infla seu CPA aparente.

O que é baseline em programa de afiliado de bet?

Baseline é o valor mínimo de depósito para que o FTD conte como conversão qualificada. Se a casa define um baseline e o jogador deposita abaixo disso, o depósito acontece mas o CPA não é pago. Cada programa define o próprio valor e ele pode mudar por campanha.

CPA ou RevShare, o que é melhor?

Depende do seu fluxo de caixa e da qualidade do tráfego. CPA paga rápido e é previsível, o que ajuda quem reinveste em mídia paga. RevShare paga menos no início e mais ao longo do tempo se o jogador continuar ativo. Não existe resposta universal e isso não é recomendação financeira.

O que significa NGR?

NGR é a receita líquida do jogador, normalmente o que ele perdeu descontando bônus, taxas de processamento e outros custos definidos em contrato. É a base de cálculo mais comum do RevShare, e a definição exata varia de casa para casa.

Por que minha conversão foi cancelada depois de registrada?

Casas revisam conversões por suspeita de fraude, autoexclusão, chargeback ou não cumprimento de baseline. Quando isso acontece o número no painel da casa cai e o do seu tracker não, a menos que exista um evento de cancelamento mapeado. Guardar o log de postbacks ajuda a reconciliar.

O que é modelo híbrido?

Híbrido combina um CPA menor pago na qualificação com um RevShare menor pago ao longo da vida do jogador. É comum para afiliados que precisam de caixa mas querem manter exposição ao longo prazo.

Equipe Affilitrack

Time que constrói e opera o Affilitrack. Escrevemos a partir de operação real de tracking de afiliados no Brasil — postback de casa de aposta, infoproduto e mídia paga.

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